Assim como o futebol, o carnaval segue um caminho cada vez mais mercadológico e profissionalizante, o que está cada vez mais presente e torna o samba uma árvore sem raízes como já dizia o Candeia há muito tempo.
Hoje olhando os sites sobre as escolas de samba de São Paulo ou do Rio de Janeiro vejo entre as inúmeras histórias sobre julgadores (o que é natural no carnaval) vejo que as notícias são muito parecidas com o futebol no fim da temporada. O mercado esta aberto carnavalescos, intépretes, mestres-sala, portas-bandeira, coreógrafos e coreógrafas, mestres de bateria... um troca-troca de escolas por dinheiro.
Isso me deixa triste demais, de ver quem canta o samba, quem carrega o pavilhão trocando de escola assim sem mais nem menos, simplesmente por grana. Algumas trocas existiam nos outros anos mas eram por afinidades ou porque tal sambista precisou se mudar de um bairro pro outro e sabe como é o sistema de condução, então o sambista ficava numa escola mais próxima. Mas hoje isso acabou quem manda é o vil metal "o sambista é trocado pelo vil metal" (Tradição Albertinense 2007).
Ao presenciar essa situação eu apenas lamento e torço pra um dia voltarmos a ver mestres de bateria como o Mestre Tadeu com 30 anos de Vai-Vai, ver intépretes como Neguinho da Beija-Flor 30 anos de Beija, como Ernesto Teixeira 28 anos de Gaviões, como o casal que se tornou soberano nos Gaviões Ildely e Michel. Isso hoje é muito raro na verdade quase inexistente, o que era apenas com o carnavalesco que normalmente era um profissional alheio a comunidade se tornou algo normal e rotineiro no carnaval de hoje. É só verificar as noticias de um site especializado (carnavalesco.com.br) "Lucinha Nobre deixa a Tijuca" "Gilsinho renova com a Portela" "Cahe troca Portela por Grande Rio" entre outras, me faz lembrar coisas como "Jovem jogador do Corinthians na mira do futebol europeu" ou "Breno recebe proposta tentadora e pode deixar o São Paulo". O carnaval esta se futebolizando no mal sentido.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
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Um comentário:
Precisa a sua análise, Samuca... Já comentei contigo o quanto a mercantilização do futebl me deixa triste. Sou chamado do retrógrado, velho, saudosista e outros elogios por venerar o futebol dos anos 40, 50, 60 e 70. Mas, naqueles tempos, existia amor (à camisa, à torcida, ao elenco que jogava junto por anos a fio e, sobretudo, à bola).
Pena ver isso acontecer no carnaval também.
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