quarta-feira, 23 de abril de 2008

Valorizar a comunidade ou mais que obrigação?

“Agora é muito mais do que isso, é valorizar a comunidade vestindo 3000 componentes e com a maioria das alas comerciais compostas por nilopolitanos, é dando estrutura e cobrando dessas pessoas afinco e dedicação em troca do trabalho apresentado.As pessoas que são de fora e que desfilam na Beija Flor...”

Essa frase muita ouvida e falada pelos torcedores e diretores da Beija Flor para defender o seu presidente Anísio – bicheiro que foi preso pela PF ano passado mas está solto hoje. Frase tão usada para dizer que o carnaval de 2007 não foi comprado e que a escola tem samba no pé e valoriza a sua comunidade, porém podemos pensar algo que é o seguinte.É valorizar a comunidade dar 3000 fantasias para membros dela?
Sim é uma valorização mas gostaria de pensar algo além disso, vestir a comunidade que vive o dia-a-dia da escola, que está ali e não pode pagar o ingresso pra ir ao ensaio, que não pode sequer ver o desfile no sambódromo por causa dos altos preços dos ingressos e das óbvias condições de dificuldades que passam os moradores de comunidades carentes como a de Nilópolis.
Portanto esse tipo de atitude não é um mero valor ou um mérito de determinada escola de samba ou outra, é sim na verdade uma obrigação da escola. A escola tem obrigação de ser da comunidade de usar as “alas comerciais” pra comunidade, baratear ou até mesmo doar as fantasias pra comunidade, já que o sambódromo é para os turistas a escola deve continuar sendo da comunidade, ou vamos comentar sobre turistas e artistas que saem no carnaval para aparecerem na telinha do plim plim.
É muito triste hoje pensar que por causa disso a Beija Flor é um exemplo de escola que desfila com a comunidade, porém, o discurso dos diretores da escola não condiz com a realidade. Anísio veste 3000 componentes da comunidade mas com o dinheiro ilícito da máfia dos caça-níqueis e do jogo do bicho, e também com uma ligação estranha com o ex-presidente da LIESA o Capitão Guimarães – também bicheiro e ex-presidente da Vila Isabel. No carnaval de 2007 a Beija-Flor teve um orçamento de 7 milhões de reais exatamente 5 milhões a mais que o repasse público que deveria ser maior e também se a única fonte para o desfile (o que melhoraria e muito a qualidade do desfile já que com a mesma verba todas teriam as mesmas condições e assim poderiam vestir a comunidade e usar a criatividade e o samba no pé como diferencial).
Portanto os títulos da Beija-Flor nos últimos anos não se deve ao samba no pé da comunidade ( como deveria valer), deve-se ao alto investimento e da não divulgação da origem do dinheiro oriundo de “patrocínios” que a escola recebe, sendo essa não divulgação pelo menos de forma pública e bem detalhada um problema em todas as escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, e de São Paulo também.

Um comentário:

Unknown disse...

Cabe à direção da escola (ou da boa intenção desses membros)saber dosar o dinheiro dos patrocínios com os reais interesses da comunidade e a tradição do samba.
Torço para que os vícios dos jurados sejam cortados pela raíz, e que sejam premiadas não as escolas ricas, mas as mais originais e com os melhores sambas. Só assim as escolas tradicionais voltarão a ter como principal preocupação colocar bons carnavais na avenida, sem depender de tecnologias e plumas exuberantes. Harmonia e samba enredo deveriam ter pesos mais altos que os demais quisitos. E um quisito "originalidade" não seria mal.